sexta-feira, 14 de novembro de 2025

MULTIPISTAS #3

E de repente, novo tema dos Duques do Precariado. Fizeram o melhor disco português de 2023, Antropocenas.

Prometem com Falho fazer o melhor de Dois mil e quando sair.


tags: experimental Ceira (quem nunca?)


Primeiro avanço do próximo disco, "Encarnação".

A Falho só tem um acorde. É tocada com Dó Maior e portanto disponível aos iniciados na guitarra, e só os iniciados a sabem, na verdade, tocar. Reconta uma história antiga, é tocada em forma de adivinha e pertence à Encarnação, o segundo disco dos Duques do Precariado. Inaugura o nosso programa anti-Máquina, de heresias com ambiguidade assertiva, e foi gravada sem metrónomo num take, pelo Pedro Mendonça, o João Neves e o João Fragoso. Mas precisou da flauta da Teresa Costa, das gaitas do Hugo Oliveira, e dos tambores do Zé Stark para se tornar imperfeita por inteiro.

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lyrics
Semi-semita, fui soprado pelas narinas
com uma missão esquisita, não sabia desvendar.
Sentia um peso, mas que não vinha de cima,
uma coisa aqui de dentro, e custava a carregar.

Fui c’o João, da região.
Jantámos gafanhotos no Jordão.
E ele ensinou-me q’eu era o filho prometido
e à noite fui comido por mosquitos a rezar.

Ó pai,
Pai, em q’é q’eu falho?

Sou da mate´ria dos suspiros da Maria,
sou as notas q’assobias, não te voltas a lembrar.
Mas à noite quando durmo tenho frio,
tenho fome e quem me viu decidiu ignorar.

Sou a palavra, a labareda larga,
sou a piada q’inda não foi trabalhada.
Eu sei, eu sei, que sou o filho prometido,
mas ó pai eu não consigo saber onde começar .

Ó pai,
Pai, em q’é q’eu falho?

Sou bom mineiro mas sou muito mau ourives.
Sou-o desde o berço, desde o berço me aflige.
Na escuridão encontro tudo o que é preciso,
Mas as coisas q’ela diz eu desisto d’explicar.

Queres um milagre? Toma um milagre.
Só acreditam quando vêem um milagre.
Eu sou o reino, a raiz, o teu caminho,
e preciso de um milagre pra um amigo acreditar.

Ó pai:
Pai, em q’é q’eu falho?

Eu percebo em teoria
Onde acaba o meu trabalho
Eu percebo e não aprendo
E em teoria nunca falho

Fui o primeiro a inventar o amor livre,
e as sementes d’anarquia q’inda voam pelo ar.
Mas por cada bem que crio, vem um mano com juízo
q’é preciso institucionalizar.

Sou marciano, ou afro-ariano?
Ninguém se lembra q’eu sou palestiano.
Nem Isaías, nem tão pouco o Ezequias,
sou aquele já sabias, mas não queres acreditar.

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credits
released November 14, 2025
Pedro — voz, ukelele
Fragoso — voz, baixo
Neves — voz, guitarra
Stark — percussões
Teresa — flauta
Hugo — gaita de foles, fraita

license


Multipistas #2

AUTOMATIC


With Signal, their 2019 debut album, Izzy Glaudini, Lola Dompé, and Halle Saxon deliberately removed the guitar from their band, creating a vast space filled with many versions of post-punk, dance-rock, and indie music—they crafted their own fonk (with an o), similar to how Devo and ESG groove. They are avant-garde, futuristic musicians, and unsuspecting fans are always being converted—I’ve seen it. Automatic in San Francisco covertly impressing stuffy hipsters (Yep, that’s SF for ya) and overaged, grizzled, skateboarder dudes in the Mission District, who happened to be waiting for headliner Osees, get lost and found in droning, thick layers of murmur. Fans waiting for Julian Casablancas’ new project, The Voidz, I’ve observed get turned on and burned—pleasurably—by Automatic’s crypt-keeper vibes, with dagger-like synths, drumstick hits, and monotone vocals. This trio, which named their band after a song by the Go-Gos—the first all-female band to write their own songs and play their instruments on a number one album in the U.S.—have been doing the work for a long-assed minute. I’m a witness.

Algumas linhas orientadoras na Treblezine

 Krautrock punk-funk synth pop em malhas como Black Box,mq9, Smog summer e este malhão Terminal!





MULTIPISTAS #5

While there are plenty of post-punk and orchestral art rock bands vying for attention, there is a searing originality that marks Flip Top ...