E de repente, novo tema dos Duques do Precariado. Fizeram o melhor disco português de 2023, Antropocenas.
Prometem com Falho fazer o melhor de Dois mil e quando sair.
tags: experimental Ceira (quem nunca?)
Primeiro avanço do próximo disco, "Encarnação".
A Falho só tem um acorde. É tocada com Dó Maior e portanto disponível aos iniciados na guitarra, e só os iniciados a sabem, na verdade, tocar. Reconta uma história antiga, é tocada em forma de adivinha e pertence à Encarnação, o segundo disco dos Duques do Precariado. Inaugura o nosso programa anti-Máquina, de heresias com ambiguidade assertiva, e foi gravada sem metrónomo num take, pelo Pedro Mendonça, o João Neves e o João Fragoso. Mas precisou da flauta da Teresa Costa, das gaitas do Hugo Oliveira, e dos tambores do Zé Stark para se tornar imperfeita por inteiro.
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lyrics
Semi-semita, fui soprado pelas narinas
com uma missão esquisita, não sabia desvendar.
Sentia um peso, mas que não vinha de cima,
uma coisa aqui de dentro, e custava a carregar.
Fui c’o João, da região.
Jantámos gafanhotos no Jordão.
E ele ensinou-me q’eu era o filho prometido
e à noite fui comido por mosquitos a rezar.
Ó pai,
Pai, em q’é q’eu falho?
Sou da mate´ria dos suspiros da Maria,
sou as notas q’assobias, não te voltas a lembrar.
Mas à noite quando durmo tenho frio,
tenho fome e quem me viu decidiu ignorar.
Sou a palavra, a labareda larga,
sou a piada q’inda não foi trabalhada.
Eu sei, eu sei, que sou o filho prometido,
mas ó pai eu não consigo saber onde começar .
Ó pai,
Pai, em q’é q’eu falho?
Sou bom mineiro mas sou muito mau ourives.
Sou-o desde o berço, desde o berço me aflige.
Na escuridão encontro tudo o que é preciso,
Mas as coisas q’ela diz eu desisto d’explicar.
Queres um milagre? Toma um milagre.
Só acreditam quando vêem um milagre.
Eu sou o reino, a raiz, o teu caminho,
e preciso de um milagre pra um amigo acreditar.
Ó pai:
Pai, em q’é q’eu falho?
Eu percebo em teoria
Onde acaba o meu trabalho
Eu percebo e não aprendo
E em teoria nunca falho
Fui o primeiro a inventar o amor livre,
e as sementes d’anarquia q’inda voam pelo ar.
Mas por cada bem que crio, vem um mano com juízo
q’é preciso institucionalizar.
Sou marciano, ou afro-ariano?
Ninguém se lembra q’eu sou palestiano.
Nem Isaías, nem tão pouco o Ezequias,
sou aquele já sabias, mas não queres acreditar.
----
credits
released November 14, 2025
Pedro — voz, ukelele
Fragoso — voz, baixo
Neves — voz, guitarra
Stark — percussões
Teresa — flauta
Hugo — gaita de foles, fraita
A Falho só tem um acorde. É tocada com Dó Maior e portanto disponível aos iniciados na guitarra, e só os iniciados a sabem, na verdade, tocar. Reconta uma história antiga, é tocada em forma de adivinha e pertence à Encarnação, o segundo disco dos Duques do Precariado. Inaugura o nosso programa anti-Máquina, de heresias com ambiguidade assertiva, e foi gravada sem metrónomo num take, pelo Pedro Mendonça, o João Neves e o João Fragoso. Mas precisou da flauta da Teresa Costa, das gaitas do Hugo Oliveira, e dos tambores do Zé Stark para se tornar imperfeita por inteiro.
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lyrics
Semi-semita, fui soprado pelas narinas
com uma missão esquisita, não sabia desvendar.
Sentia um peso, mas que não vinha de cima,
uma coisa aqui de dentro, e custava a carregar.
Fui c’o João, da região.
Jantámos gafanhotos no Jordão.
E ele ensinou-me q’eu era o filho prometido
e à noite fui comido por mosquitos a rezar.
Ó pai,
Pai, em q’é q’eu falho?
Sou da mate´ria dos suspiros da Maria,
sou as notas q’assobias, não te voltas a lembrar.
Mas à noite quando durmo tenho frio,
tenho fome e quem me viu decidiu ignorar.
Sou a palavra, a labareda larga,
sou a piada q’inda não foi trabalhada.
Eu sei, eu sei, que sou o filho prometido,
mas ó pai eu não consigo saber onde começar .
Ó pai,
Pai, em q’é q’eu falho?
Sou bom mineiro mas sou muito mau ourives.
Sou-o desde o berço, desde o berço me aflige.
Na escuridão encontro tudo o que é preciso,
Mas as coisas q’ela diz eu desisto d’explicar.
Queres um milagre? Toma um milagre.
Só acreditam quando vêem um milagre.
Eu sou o reino, a raiz, o teu caminho,
e preciso de um milagre pra um amigo acreditar.
Ó pai:
Pai, em q’é q’eu falho?
Eu percebo em teoria
Onde acaba o meu trabalho
Eu percebo e não aprendo
E em teoria nunca falho
Fui o primeiro a inventar o amor livre,
e as sementes d’anarquia q’inda voam pelo ar.
Mas por cada bem que crio, vem um mano com juízo
q’é preciso institucionalizar.
Sou marciano, ou afro-ariano?
Ninguém se lembra q’eu sou palestiano.
Nem Isaías, nem tão pouco o Ezequias,
sou aquele já sabias, mas não queres acreditar.
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credits
released November 14, 2025
Pedro — voz, ukelele
Fragoso — voz, baixo
Neves — voz, guitarra
Stark — percussões
Teresa — flauta
Hugo — gaita de foles, fraita
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